Mantendo o compromisso de romper o ciclo histórico de revisão salarial de 0,01%, a proposta do governo é de reajuste de 3,51%, com base no índice IPC-FIPE acumulado entre abril de 2025 e março de 2026. A medida representa impacto superior a R$ 1 bilhão anual na folha de pagamento
A Prefeitura de São Paulo, por meio das Secretarias Municipais de Gestão e de Educação, em diálogo com as entidades sindicais, apresentou, pelo quarto ano consecutivo, proposta de Revisão Geral Anual linear baseada no IPC-FIPE para todos os servidores. O impacto estimado é de R$ 1,1 bilhão ao ano, abrangendo servidores ativos, aposentados e pensionistas com paridade, da Administração Direta e Indireta.
Desde 2021, a Prefeitura vem promovendo uma política estruturada de valorização dos servidores, com revisões nas remunerações iniciais de carreiras estratégicas e investimentos que já somam mais de R$ 7 bilhões. No Auxílio-Refeição e no Vale-Alimentação, por exemplo, os reajustes foram de 50% e 96%, respectivamente, no período.
Na área da educação, parte dos profissionais será contemplada com aumento de 5,4% no piso inicial. Atualmente, 80% dos professores efetivos – em atividade – recebem acima de R$ 6,2 mil, sendo que mais da metade recebe aproximadamente R$ 8 mil. Entre os professores aposentados 80% ganham acima de R$9 mil. Além disso, os servidores contam com mecanismos adicionais de valorização, como gratificações por local de trabalho, difícil acesso e prêmios por desempenho.
Na reunião realizada em 28 de abril de 2026, a proposta apresentada prevê reajuste linear de 3,51%, a ser aplicado em duas etapas: 2% em 2026 e o percentual complementar até maio de 2027. No âmbito das negociações com as entidades representativas dos servidores, a Administração assumiu o compromisso de antecipar o pagamento da segunda parcela para novembro ou dezembro de 2026, condicionada à compatibilidade com as metas fiscais e à disponibilidade orçamentária e financeira, bem como reajustar o Auxílio Refeição e Vale Alimentação, a partir do mês de maio/2026.
Além disso, como parte desse conjunto de medidas, a Prefeitura regulamentou, por meio do Decreto nº 65.132/2026, a contagem do tempo de serviço referente ao período entre maio de 2020 e dezembro de 2021 para fins de adicionais como quinquênios e sexta-parte. A medida, com base na Lei Complementar Federal nº 226/2026, beneficia 25.503 servidores e viabiliza o pagamento de R$ 330 milhões no exercício atual, sendo R$ 108 milhões pagos ainda neste mês de abril.
As propostas discutidas também incluem a continuidade de programas voltados ao fortalecimento do bem-estar e da saúde mental dos servidores, além da manutenção de negociações setoriais ao longo de 2026 para análise de pleitos específicos de cada carreira. Nos próximos dias, o projeto de Lei com a proposta de reajuste seguirá para análise e votação pela Câmara Municipal de Vereadores.

